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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Fátima



FÁTIMA


A primeira vez que fui à Fátima. Na verdade foi ela que foi a mim...

















sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Pai,Vater,Padre,Pare,父亲,отец,Father,Père,vader,אבא,apa



Assuero



Pai



Quando ao avançar do tempo, avistamos ao longe nosso ponto de chegada, que é enfim a última partida, e ao cair da tarde, sob um vento sereno, como uma sinfonia de Schubert ainda a esperar sua conclusão, olhamos um pouco para trás e vemos, no nascer do dia das nossas vidas, uma figura que se avoluma, trazida das entranhas das lembranças guardadas, o pai.

Devesse eu, talvez, enaltecer os grandes pais, aqueles que brilharam na vida profissional, nas artes, nas diversas atividades humanas. Aqueles que superaram as dificuldades de uma vida dura e se tornaram grandes empreendedores, galgando sucesso inimaginável. Ou ainda aqueles que se tornaram heróis de uma comunidade ou de uma cidade ou ainda de uma nação, por seu mérito, sua coragem e pela oportunidade vertida pelo acaso na sua vida.

Fosse essa oportunidade, a ideal para descrever os momentos felizes que pais e filhos têm juntos, que são comuns a todos os pais e a todos os filhos, ou mesmo tecer um poema em fios de saudade pelo pai ausente, ou ainda descrever com lágrimas nos olhos a felicidade de quem tem a força e a inspiração de ser um pai adotivo.

Poderia pedir emprestado à teologia sua Palavra e construir um tratado sobre a figura de Deus, que é pai e que cuida amorosamente de suas criaturas desde o primeiro dia do tempo.

Mas hoje, gostaria de lembrar do pai, simplesmente pai. Daquele que em nada se sobressaiu na vida. Aquele que trabalha monotonamente todos os dias, sem grandes perspectivas de mudança de vida. Que enfrenta o transporte precário, as filas para atendimento de saúde, que conta os dias para o final do mês para receber o minguado salário, já todo comprometido, que escuta as queixas da mulher sobre a situação de casa, das brigas dos filhos, do gás que acabou, das contas e mais contas. Daquele que tem até vontade de desistir, mas olha para os filhos e se levanta pela manhã e enfrenta a mesma vida, medíocre segundo os olhos da sociedade. E assim vai dedicando seus momentos, seus pedaços de vida, por mais humilde, enfadonha e monótona que seja, aos seus filhos. E vai sonhar em vê-los formados, em vê-los casados, em vê-los com filhos. Desse sonho, esse pai retira forças, de onde nem mesmo um poeta, ou um profeta ou um filósofo tiraria. Realizar-se a partir da realização dos outros. Dedicar-se em plenitude aos outros.

Talvez, ao fim do dia de sua vida, esteja esquecido nalgum quarto de um hospital público, ou nalgum abrigo geriátrico. Talvez seus filhos tenham tido alguma lembrança terna, ou nem mesmo isso. Talvez outro final mais feliz permitisse a pena do escritor, burlando a realidade, e o achasse realizado ao lado da família.

Passaram para a vida de adultos, os filhos. O pai ao envelhecer retorna ao mundo das crianças, quase um círculo perfeito.

Quando se tornar para ti apenas lembrança, nem pó, nem desejo nem consistência, apenas lembrança, e olhando com os olhos do coração para essa lembrança e a saudade bater, e o teu derradeiro navio aportar, ele estará acenando do convés e, então, verás alguém que esteve sempre do teu lado, fazendo para ti o ofício de Deus.



Assuero Gomes


assuerogomes@terra.com.br




quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Fabuloso Dalí em Barcelona..Meravellós Dalí a Barcelona !


Meravellós Dalí a Barcelona !


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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Filmes que você deve assistir antes de morrer:Lawrence da Arábia


Lawrence da Arábia



Diretor: David Lean


Sinopse e detalhes

Em 1935, quando pilotava sua motocicleta, T.E.Lawrence (Peter O'Toole) morre em um acidente e, em seu funeral, é lembrado de várias formas. Deste momento em diante, em flashback, conhecemos a história de um tenente do Exército Inglês no Norte da África, que durante a 1ª Guerra Mundial, insatisfeito em colorir mapas, aceita uma missão como observador na atual Arábia Saudita e acaba colaborando de forma decisiva para a união das tribos árabes contra os turcos.



Não se pode entender bem o Oriente Médio de hoje, sem se ter visto esse filme. Completando 60 anos, tem uma belíssima fotografia e uma trilha sonora inesquecível. Devemos nos lembrar que naquela época não havia computadores e pouquíssimos recursos de efeitos especiais, no entanto é uma obra prima da genialidade.





segunda-feira, 30 de julho de 2012

Filmes que devemos assistir antes de morrer... A Partida (Okuribito)




Filmes que devemos assistir antes de morrer...


A Partida (Okuribito)



                              De Yojiro Takita

Salvando...

Sa
Sinopse e detalhes

Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki) tem o sonho de tocar violoncelo profissionalmente. Para tanto se endivida e compra um instrumento, conseguindo emprego em uma orquestra. O pequeno público que comparece às apresentações faz com que a orquestra seja dissolvida. Sem ter como pagar, ele devolve o instrumento e decide morar, com sua esposa Mika (Ryoko Yoshiyuki), em sua cidade natal. Em busca de emprego, ele se candidata a uma vaga bem remunerada sem saber qual será sua função. Após ser contratado, descobre que será assistente de um agente funerário, o que significa que terá que manipular pessoas mortas. De início Daigo tem nojo da situação, mas a aceita devido ao dinheiro. Apesar disto, esconde o novo trabalho da esposa. Aos poucos ele passa a compreender melhor a tarefa de preparar o corpo de uma pessoa morta para que tenha uma despedida digna.



O filme trata de maneira delicada e complexa a questão dos nossos sentimentos em relação à morte. Envolve todo um ritual antigo da civilização nipônica, a dignidade que se deve ter para com seus mortos,e ainda a relação do filho e do pai. Enfim, um filme que trata da vida e seus questionamentos mais profundos.




sexta-feira, 27 de julho de 2012

Dos médicos e dos loucos....





Dos médicos e dos loucos....



Lá onde ninguém ousa ir, de onde todos fogem e evitam até passar por perto, e os que estão, estão contra sua vontade...lá onde já não há consolo nem esperança, só sofrimento e dor, onde o humano se desfigura e o céu parece cair em pedaços de chumbo, e a garganta queima, os olhos ardem secos... lá no final, na véspera do luto, um ser humano se apresenta para estar junto.

Frágil como o outro que agoniza, limitado na sua própria existência, bebendo as suas lágrimas misturadas com as do outro.

Um ser humano se apresenta para o outro, que talvez vislumbre a presença de um representante de Deus, ou do juiz mais poderoso da terra, que proferirá uma sentença definitiva, ou ainda de um messias salvador, senhor da vida e da morte.

Há quem diga que só loucos procurariam viver junto a doentes e doenças, só loucos conviveriam com o sofrimento, entre chagas abertas, pústulas e delírios febris. Hospitais, clínicas e isolamentos. Atestado de nascimento e óbito, início e fim, berço e caixão.

Outros loucos, no entanto, estão ao nosso lado, no grande manicômio que às vezes é o nosso planeta. Um belo e azul manicômio galáctico, que não conseguiu se desmamar da Pancha Mama. Loucos que mudaram definitivamente para melhor a vida e a história dos habitantes sãos. Francisco, o louco de Assis, que falava com lobos e homens, o louco de Nazaré que venceu a morte, realizando o sonho de todos os filhos e filhas de Hipócrates, sem contar com os loucos poetas revolucionários, que fazem uma revolução amorosa em cada fim de noite, e tantos e tantos mais.

Um desses loucos maravilhosos foi Lucas. Patrono de todos os médicos e médicas. Dele pouco se sabe com certeza histórica. Era grego, escreveu dois importantes livros que vêm influenciando milhões e milhões de pessoas em todo o mundo há quase dois mil anos: o seu Evangelho e os Atos dos Apóstolos. Diz a tradição que ele também pintava e teria realizado o primeiro retrato de Maria. Foi com certeza historiador, no melhor estilo grego, pois pesquisou e ordenou rigorosamente as informações para escrever seus livros. Um detalhe, mais que tudo isso, me impressiona em Lucas, é a questão do estar junto.

Quando Paulo, já prisioneiro em Roma, após suas inesgotáveis viagens apostólicas, após prisões, açoites, fugas mirabolantes, naufrágios, perseguições, escrevendo suas cartas, em lágrimas, praticamente sozinho, fazendo um inventário de sua vida e já com a cabeça em vias de ser decapitado, ele comenta sua solidão e que apenas alguns raros amigos, entre eles o “querido médico Lucas”, está junto.

Mal sabem esses loucos que quando auscultam o coração das pessoas estão escutando e ouvindo o pulsar de toda humanidade, de bilhões e bilhões de anos, da própria terra no seu pulsar...mal sabem esses loucos que quando examinam uma pele, estão na verdade examinando a pele da própria vida, pois todo o universo, se renova na sua superfície, as pedras criam musgos, os musgos descamam, e a poeira dos séculos escrevem uma nova história a cada vento...mal sabem esses loucos que quando examinam as ondas elétricas dos cérebros, estão examinando as tempestades cósmicas de todas as eras que se organizaram no mais perfeito acidente geográfico que a mãe Terra conseguiu produzir e, como uma mãe ciumenta, vai recolher de volta...ah esses loucos maravilhosos não sabem que brincar de Deus é algo perigoso pois pode encantar, e fazer esquecer que um dia estarão do outro lado, na cama, fragilizados como crianças.

Diremos então, que nesse dia dedicado aos loucos amantes da vida, todos, os homens e as mulheres, todos sem exceção, de médicos e de loucos deveriam ter um pouco...

Assuero Gomes

Pediatra,

assuerogomes@terra.com.br