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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O Profeta e a Serpente

O Profeta e a Serpente



Publicado em 1998


Dedicatória:     

                                      












terça-feira, 17 de novembro de 2015

AS QUATRO IGREJAS





AS QUATRO IGREJAS

FEVEREIRO - 92


Assuero Gomes

Havia uma vila. Na vila 4 Igrejas. A parte mais antiga da vila ficava no centro. A primeira Igreja lá. Alta e imponente, era como a catedral; sua torre com sino de bronze quase tocava o céu. Ao redor desta Igreja moravam os senhores da vila: o prefeito, o coronel, o banqueiro, o dono da fábrica, o dono do supermercado e o dono do engenho, quando vem à vila.
A segunda Igreja fica mais afastada do centro, num bairro mais simples, onde moram o professor universitário, o médico, o engenheiro, o advogado. Ela é mais plana, de tijolo aparente, não tem torre nem sino, mas tem um crucifixo bem grande por trás do altar, quase não tem imagens de santos, é ampla e arejada.
A terceira Igreja fica mais na periferia da vila, lá onde moram o comerciário, o bancário, a telefonista, a recepcionista, a professorinha da escola. Esta Igreja é uma capela. Foi um arranjo na casa da vila da Cohab que os moradores fizeram, mas ficou bem bonitinha.
A quarta Igreja fica quase fora da vila, numa invasão que apareceu num terreno baldio da fábrica que fechou porque o dono resolveu aplicar o dinheiro em "dolar" e no "over". Na época foi uma briga danada, mandaram a polícia desocupar a área porque uma imobiliária estava especulando; depois de duas mortes e muita confusão, ainda estão em litígio, mas como é ano de eleição, o prefeito deu uma trégua para o pessoal celebrar num barraco de madeira ( quando não chove) que de dia é escola e de noite é onde se reúnem as lideranças da favela. Lá mora o filho da empregada doméstica, o pipoqueiro, o motorista, o guarda, o pequeno traficante, a prostituta, dona Zefinha que vende refrigerante na praia, um mendigo e o office-boy do banco.
O padre da primeira Igreja só gosta de celebrar mesmo é em latim, com cantos gregorianos. Padre é padre, leigo é leigo. Mulher de véu. Mini-saia e decote, Deus o livre. Papa mesmo, dos bons, só até Pio X. Concílio? De Trento para trás. E o Vaticano II? - É a segunda casa do Papa? Pergunta ele desorientado. Padre casado: é o próprio demônio em pessoa; coisa de Lúcifer para destronar a Igreja triunfante.
O padre da segunda Igreja respirou aliviado quando não precisou usar mais batina. Acha que pode utilizar alguns leigos para distribuir a Eucaristia e dar o Curso de Batismo, mas sob sua supervisão. Vaticano II foi um santo Concílio, a Igreja já abriu mão de suas prerrogativas ao máximo. Leigo é leigo, pode, orientado pelo padre, ajudar muito. Sem a obediência à hierarquia não há salvação. Não mistura religião com problemas do dia-a-dia.
O padre da terceira Igreja parece que é meio maluco, talvez comunista disfarçado. Mora lá no fundo de quintal com mais algumas pessoas. Se veste que nem um deles. Nem parece padre. Falam até que toma cerveja e fuma! Reúne o pessoal para falar do governo, do custo de vida, da pobreza e da exploração. Coloca Jesus até em política e sindicato! Só casa, batiza e faz primeira comunhão quem é da comunidade e se prepara durante o ano inteiro. Acha que só há Igreja se houver comunidade e só há Bispo se ele estiver inserido na comunidade. Concílio? O Vaticano II foi o vôo inicial da Igreja nas asas do Santo Espírito, para chegar ao Reino ainda falta muito.
A quarta Igreja nem padre tem. O que existe são uns leigos que se reúnem e pregam a Palavra. Alguns ministros distribuem a Eucaristia que levam da terceira Igreja. Esses leigos têm umas idéias muito "atípicas", por assim dizer: Jesus está onde há comunidade de pessoas que acreditam n'Ele. Esse negócio de Bispo, Cônego, Abade, padre, não tem sentido pois a hierarquia do serviço não reconhece divisão de cargos. Leigo é laos, Povo de Deus (aí incluso Padre, Papa, Bispos, Abades, Freiras, etc.)! Tudo é Povo de Deus, a distinção é de serviço, não de prestígio ou poder. Concílio? Para que? Igreja é o Povo de Deus que ora e trabalha na construção do Reino, espalhado no mundo todo, de qualquer raça ou religião!

São 4 Igrejas, um é o Pastor. São 4 filhas diferentes amadas pelo Pai. Tanto uma irmã tem a ensinar à outra! Na verdade uma só, olhada em quatro tempos diferentes. É uma senhora que se mira em 4 espelhos: num reflete sua vaidade e sua riqueza; noutro sua sabedoria e inteligência; noutro ainda tenaz perseguição ao ideal do noivo, Jesus e no quarto espelho ela vê sua juventude que apesar da avançada idade ainda a impulsiona rumo ao desconhecido, ao novo, ao futuro....

domingo, 15 de novembro de 2015

Crês tu no Filho de Deus ?




Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de 

Deus?



Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia?



E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo.



Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou.



E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e 

os que vêem sejam cegos.


E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós 

somos cegos?



Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; 

por isso o vosso pecado permanece.







Jesus vai atrás do que fora cego. Acolhe-o em atitude positiva contra a expulsão do mesmo por parte das autoridades.

Pergunta se ele crê que no Filho de Deus? Ao que o homem responde prontamente perguntando pela indicação do próprio Jesus. 

Agora tu mesmo o vês. Agora o escuta. E crendo que Jesus é o Filho do Deus Vivo, o adora.

Vejam a trajetória de fé que Jesus realizou no cego de nascença: primeiro não o vê, depois o chama de homem, depois de profeta e agora de Deus. 

Esse é o grande milagre de quem adere a Jesus, reconhecimento de que Ele é o Senhor.

Quanto aos doutores e poderosos, esses são os 

verdadeiros 

cegos que querem manter os 

homens e as mulheres na escuridão para que possam 

dominá-los.











sexta-feira, 13 de novembro de 2015

expulsaram-no














Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.







Responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em 

pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no.




Ao falhar a coação moral, os dirigentes usam da força bruta:

Expulsam o que fora cego.

Impossível de conviver com a luz que os denuncia, na 

instituição só resta a treva.

Assim como Jesus foi expulso da instituição, os que lhe 

seguem o serão.






quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.













   


Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.


Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.


A lógica clara e simples da própria argumentação teológica dos dirigentes é usada contra eles a partir do homem simples que fora cego e agora vê melhor que os próprios doutores.

O processo de cura que Jesus operou fez mais que restituir visão: deu coragem, cidadania,
autoestima, confiança, sabedoria, saúde.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Deus não ouve a pecadores;





O homem respondeu, e disse-lhes: Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de 

onde ele é, e contudo me abrisse os olhos.


Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e 

faz a sua vontade, a esse ouve.

Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de 

nascença.


Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.


Responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? 

E expulsaram-no.


O homem agora ironiza as autoridades e os põe em xeque mate. Aplica a própria teologia 

com argumentação irrefutável: ninguém pode realizar tais sinais maravilhosos se não for

da parte de Deus.

Ora, os doutores da Lei, os fariseus e os saduceus já estavam repletos do conhecimento 

da Lei, portanto não cabia aprender mais nada. Não tendo argumentação contra aquele

que fora cego, usam da violência expulsando-o.








sábado, 7 de novembro de 2015

Não sabemos quem é Jesus

E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença.
E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.
Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.                                                                                Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez barro, e untou com o barro os olhos do cego.
E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.
Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava?
Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu.
Diziam-lhe, pois: Como se te abriram os olhos?
Ele respondeu, e disse: O homem, chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé, e lava-te. 
Então fui, lavei-me, e vi.
Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei.
Levaram, pois, aos fariseus o que dantes era cego.
E era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.
Tornaram, pois, também os fariseus a perguntar-lhe como vira, e ele lhes disse: Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me, e vejo.
Então alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles.
Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu, que dizes daquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta.
Os judeus, porém, não creram que ele tivesse sido cego, e que agora visse, enquanto não chamaram os pais do que agora via.
E perguntaram-lhes, dizendo: É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê agora?
Seus pais lhes responderam, e disseram: Sabemos que este é o nosso filho, e que nasceu cego;
Mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe tenha aberto os olhos, não sabemos. Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo; e ele falará por si mesmo.
Seus pais disseram isto, porque temiam os judeus. Porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga.
Por isso é que seus pais disseram: Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo.
Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram-lhe: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.
Respondeu ele pois, e disse: Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo.
E tornaram a dizer-lhe: Que te fez ele? Como te abriu os olhos?
Respondeu-lhes: Já vo-lo disse, e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? 
Quereis vós porventura fazer-vos também seus discípulos?












Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés.

Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é.



O que fora cego tocou no ponto nevrálgico da crença dos fariseus, saduceus e doutores da Lei. A reação foi injuriarem ao homem. 
Sem argumentação teológica eles apelam para uma contraposição entre Moisés (Lei) e Jesus (Amor). Na verdade estão cegos pois se apegam apenas à Lei escrita e não a interpretam no Espírito de Deus, como se Deus fosse limitado apenas pela Lei inscrita na T[abua da Aliança.
Ora, Deus é muito maior que Moisés e a Lei. Ele salvou libertando seu povo do jugo do Faraó, num gesto incontestável de Amor.
Continuam resistentes a conhecer Jesus: 'este não sabemos de onde é'.
Refugiam-se na Lei que lhes dá status e poder sobre o povo oprimido que anseia por uma nova libertação.
Jesus vai ser o novo Moisés, pois pessoalmente liberta seu povo.



O homem respondeu, e disse-lhes: Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e contudo me abrisse os olhos.
Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve.
Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.
Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.
Responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no.
Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus?
Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia?
E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo.
Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou.
E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos.
E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos?
Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.
João 9:1-41