sábado, 12 de novembro de 2011
Praha - Praga
Uma bela cidade, parecendo um cenário gótico. Impossível perceber que alguém mora ali, como se nada estivesse desarrumado ou fora de ordem. Joia preciosa da europa, disputa com Paris e Budapest, ser a mais bela da mas belas.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Serviço
Serviço
S. Vicente e S. Luísa nos ensinam a verdadeira alegria de viver. Uma maneira que estando aonde quer que seja, estaremos serenos e felizes. Pode ser numa festa, pode ser num enterro, pode ser num banquete ou mesmo repartindo o último naco de pão. A verdadeira alegria de se sentir vivo é servir. Alegria de servir, pois só estamos vivos quando nos comunicamos com o outro, quando somos percebidos pelo outro.
Quem nos perceberá e acolherá mais a nossa pessoa, senão aquele ou aquela a qual servimos, na sua necessidade imediata e prevenimos sua necessidade futura?
Jesus mesmo disse de si próprio, “Vim para servir e não para ser servido”. Não podemos ser melhores que Ele, mas devemos procurar ser semelhantes a Ele, pois só assim, Ele se mostrará presente àqueles que não têm fé.
Sejamos portanto, a luz que brilha e o sal que dá sabor a esta terra, servindo aos irmãos e irmãs, assim como Jesus serve, como Vicente e Luísa serviram.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Carta a um jovem futuro médico
Carta a um jovem futuro médico
Caro amigo D, você realizou seu sonho de ingressar na academia de medicina. Resultado da perseverança, inteligência e dedicação. Você está onde milhares e milhares de jovens gostariam de estar. É motivo de júbilo, orgulho e alegria para você, toda sua família e amigos. Você está iniciando a caminhada que seu avô seguiu, ele era um bom médico. Lembre-se que a maioria de seus parentes, a grande maioria, tentou, mas não conseguiu, isso vai lhe pesar um pouco.
Gostaria que refletisse sobre algumas coisas desta profissão, bela e ingrata, mãe e madrasta, esposa e amante infiel.
Logo sentirá o peso que ela carregará nos seus ombros. Logo verá que ser médico é algo muito além de prescrever alguns medicamentos ou orientar sobre algumas dietas. Será cobrado por soluções de doenças sociais crônicas, verá homens e mulheres e crianças estendidos no chão pedindo algum consolo, perderá a idéia romântica de hospitais-cenários de filmes americanos. Verá o tempo lhe consumir as horas, os feriados e os domingos. Será retirado muitas vezes do convívio familiar, de seus filhos, esposa e netos.
Daqui a bem pouco tempo uma avalanche de queixas de vizinhos, parentes e aderentes lhe perturbará o sossego.
Lembre-se, porém, que apesar de tudo, se você perseverar valerá a pena.
Esqueça os salários altos, estes não existem. Esqueça os empregos fáceis, também não existem. Esqueça as clínicas e hospitais de luxo, esses são raros. Esqueça os clientes particulares, esses já não mais existem. Será explorado por planos de saúde, pelo governo, pelos parentes, pelos próprios colegas quando forem patrões, pelos donos de hospitais e clínicas.
Jamais seja conivente com a tortura, com a exploração, com o lucro fácil. Jamais venda sua arte em troca de propinas ou facilidades.
A profissão que você escolheu faz parte da Vida, e como tal, por ela e somente por ela deve ser exercida.
Lembre-se que de suas decisões brotarão vida ou morte, não só biológica, mas social, psicológica, comunitária. Será um líder, quer queira quer não. Lembre-se da poesia, pois sem poesia não há medicina. Lembre-se de Deus, pois Ele certamente, mesmo você se esquecendo dele, estará sempre perto.
Participe das lutas pela melhoria da sua classe. Fique sempre do lado dos mais pobres e dos mais sofridos. Jamais esqueça dos seus colegas, mesmo quando eles se esquecerem de você.
Valerá a pena?
Creio que sim. Ao final da carreira, quando os anos já houverem passado, os clientes estiverem perdidos em alguma dobra do tempo da lembrança, as horas de glória e agonia já não contarem mais e sua caneta trêmula prescrever apenas recordações, sua recompensa será dormir tranqüilo, ver seus filhos entrarem em qualquer recinto de cabeça erguida, e você ter a sensação de vivido, ter deixado esse mundo um pouco melhor.
Parabéns. Bem-vindo ao seleto clube dos discípulos de Hipócrates.
Assuero Gomes
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
A Medicina e a Religião
detalhe do Mural Tributo a Gaudí do SIMEPE
A Medicina e a Religião
Sabemos que na antiguidade , mesmo antes até , a prática da cura dos males , fundia e confundia a religião e a medicina . Hipócrates fez uma das primeiras tentativas de que se tem registro de separar as duas. Com René Descartes (1596-1650) o conhecimento humano tomou um impulso avassalador , pois separando-o em duas grandes áreas , o que seria ‘essencial ’ e ‘acidental ’, permitiu que se pudesse mensurar , classificar , “matematicalizar”, instrumentalizar tudo o que fosse inerente à ciência , libertando-a a princípio das áreas concernentes à filosofia , à religião , à teologia , à ética , etc.
O estado passou a ser laico , a medicina e as manifestações artísticas. No entanto , engana-se quem pensa que tal separação deu-se de fato , embora teoricamente tenha se dado de direito .
A influência da religião está presente em todo e qualquer ato da vida humana , até para os ateus e agnósticos , por paradoxal que seja. A religião faz parte e é um dos pilares da sustentação do ser humano , junto com seu lado psicológico e biológico (ao meu ver não podemos separá-los).
A medicina , portanto , é influenciada pela religião ; talvez nem tanto na sua vertente científica (e mesmo esta recebe grande influência ), mas na sua aplicação prática na vida dos pacientes e seus familiares . Sem aprofundarmos, já podemos vislumbrar a veracidade desta assertiva: por que algumas religiões não permitem transfusão de sangue e no entanto permitem transplantes de órgãos ? Por que outras, cujo povo é celeiro de grandes cientistas e tem uma das medicinas mais avançadas do mundo , não permite transplantes ? Por que para algumas o aborto (repudiado por todas) é condenável em diferentes fases da vida do embrião e outras só consideram um ser vivo independente , quando o feto “sai” do útero da mãe ?
A morte é a razão primeira e última da religião e da medicina . Não fosse a morte , a rigor não haveria necessidade de uma nem de outra . Ambas tentam satisfazer a grande , profunda e insondável questão da humanidade . Que dizer então da influência das religiões na morte e no morrer ? Eutanásia , distanásia , ortotanásia...
Aprofundando mais : há dois grandes ramos de religiões , com uma diferença essencial , que influencia toda a maneira de ver , julgar e agir no mundo , a história , a filosofia , a educação , a terapêutica , o convívio conjugal, familiar , social , tudo , tudo . Um ramo mais antigo que é o místico e o outro mais recente ( + 4.000 anos ), o profético . No primeiro há uma intuição que a revelação do divino seria percebida pelos humanos (geralmente alguma liderança espiritual ) ou por algumas pequenas comunidades de maneira quase atemporal geralmente orientando a uma atitude pessoal de comunicação com Deus . São as grandes religiões orientais , especialmente o budismo e as religiões da Índia .
No segundo , o ramo profético , há a crença que o próprio Deus irrompeu na História e a influenciou e influencia até hoje e sempre . Podendo-se precisar a data destas manifestações concretas do divino . O acontecimento fundamental foi a intervenção de Yahweh no Egito para libertar o povo hebreu da escravidão . As três maiores religiões deste ramo são o Judaísmo , o Cristianismo e o Islamismo .
Nas religiões místicas há, sem querer generalizar , um conceito de que a vida , e portanto a história , são cíclicas. O conceito de encarnação e reencarnação está inserido aí . Outro conceito importantíssimo que influencia a ação da medicina , é o conceito do corpo , pois nestas religiões há uma percepção que o ser humano “tem” um corpo e uma alma . O ser humano é parte da “natureza ” universal e está condenado ao eterno retorno até que se dissolva na divindade .
Nas religiões proféticas a visão do mundo e da história sugere que há uma progressão linear , sem retorno . Quanto à questão do corpo , elas acreditam que o ser humano “é” o corpo animado pelo sopro de Deus . O ser humano é parte da “natureza ” com um gérmen da divindade e “passando” por este estágio terreno , permaneceria com sua individualidade e chegaria ao convívio do divino na próxima e definitiva vida .
Daí a questão da ressurreição e da reencarnação. Daí a questão da alopatia e da homeopatia . A questão dos transplantes e reação da família . Como dizer a uma mãe e a um pai , que seu filho , mesmo respirando e com o coração pulsando está morto ? Se uns acham que ele é um corpo , como arrancar um pedaço e dá-lo a outro , no entanto se acham que ele tem um corpo ... Como é vista a tatuagem ? O piercing? A circuncisão de crianças ? Por que batizar um feto que não se sabe bem se já está morto ? A consulta, a pesquisa diagnóstica , a terapia serão as mesmas em meninas de qualquer religião ? Ética e moral são a mesma coisa ? Religião e ética ? Algumas dietas serão permitidas, alguns medicamentos , alguns tratamentos invasivos ? As experiências com animais e até em humanos? A doença como castigo, purgação, purificação?
Creio que junto ao ensino da ética e bioética nas escolas de medicina , faz-se necessário um estudo das diversas religiões , para que cada vez mais aprofundado no ser humano o médico saiba exercer sua arte com dignidade e paixão .
Assuero Gomes
terça-feira, 8 de novembro de 2011
O Médico
acrílico sobre papel
O Médico
O médico há de ser tão hábil com as palavras quanto com o silêncio. Ser prudente como uma mãe que carrega seus filhos no colo ao atravessar uma larga avenida estrangeira. Destreza e perícia devem ser os fios condutores de sua arte e de seu ofício, e lembrar sempre que a palavra corta mais que o bisturi, drena e limpa mais feridas que qualquer ato cirúrgico, e que esta mesma palavra se mal aplicada, pode lesionar ou amputar uma alma para sempre, irremediavelmente.
O médico jamais recebe comissões por seu trabalho, nem mesmo salário, nem abonos ou gratificações, pois sua arte não tem preço. Concede o direito de retribuição a título de honra (honorário), pois é digno e justo. É claro e límpido nas suas ações e condutas, frente à sua família, ao paciente e aos seus familiares, estendendo seu comportamento à toda sociedade. Deve ser suave no trato às pessoas, diligente e equânime. Atencioso e com postura ereta em todo lugar no qual se apresenta, exercendo ou não seu trabalho, pois ele é espelho no qual se reflete a esperança das pessoas, inspiração e aspiração para os jovens, emanando da sua pessoa, conceitos que serão aspergidos por sobre toda classe médica.
Há que ser culto sem ser esnobe, e ter a consciência que, por mais hábil que seja, mais informado, mais competente, será apenas um ser humano ajudando o outro na sua fragilidade. Curar, amenizar o sofrimento, consolar, são atributos de Deus, do qual somos infiéis depositários de uma graça que não merecemos. Um dia o médico, sua esposa ou seu filho estarão recebendo os cuidados de outro médico, isso faz parte da inexorabilidade da vida; por isso, jamais, em momento algum, deve receber alguma compensação por atender outro médico, isso, por si só já é uma honra. Participará com determinação e vontade inquebrantável de todas as lutas justas da sua classe.
Há que ter poesia no seu espírito, pois de que outra maneira suportaria o sofrimento do outro? Quanto à fé, não se pode compreender um ser humano que vai a um lugar de onde os outros fogem, os umbrais da morte, o vale da dor e das lágrimas, o misterioso limite do suportável, sem ter fé. A fé será seu único alimento em algumas situações e sem ela, certamente o médico perecerá, a não ser que não seja humano, então não seria médico.
Deve levar sempre consigo um lenço limpo, e não idolatrar a tecnologia sedutora, não fumar e se trajar de forma coerente com a pessoa que é. Jamais se embriagar, respeitar as leis de seu coração e o limite de seu corpo. Lembrar que o país no qual nasceu é a extensão de seu corpo, portanto você está inserido carnalmente nele. O médico não é uma pessoa comum. É um formador de opinião e é o ser humano que se lhe é permitido chegar mais perto da alma do outro. O sacerdote, no seu ofício sagrado, chega perto desta íntima e delicada relação com outro, no entanto, dificilmente um fiel se mostrará desnudo a um sacerdote, e muito menos permitirá que este lhe perscrute suas mucosas e suas vísceras.
O médico não decidirá sobre sua conduta, pressionado por quem quer seja, nem por forças ocultas, nem religiosas, nem econômicas, nem políticas. Respirará e transpirará Ética todos os dias de sua vida sobre a Terra, e terá uma atenção especial para com os pobres no seu momento de dor, sempre, pois serão eles que o receberão, quando as glórias humanas tiverem passado e das vaidades restarem apenas umas poucas palavras nalguma lápide esquecida varrida pelo vento do tempo e do esquecimento.
Assuero Gomes
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
O Garimpo de Pedras Preciosas e Ouro
O Garimpo de Pedras Preciosas e Ouro
A busca por pedras preciosas e ouro faz parte da raiz nacional, das esmeraldas, dos diamantes, especialmente a partir do período do ciclo do ouro nas Geraes. A nação continua buscando avidamente por serras peladas, por terras indígenas, por veios e escavações tenebrosas.
A nação sabe que mais, muito mais, que ouro ou diamantes ou verdes pedras, mais que topázios ou turmalinas, ou quaresmais ametistas, há que se procurar e achar as pedras de construção, base sólida para fundamentar esta mesma nação, tão perdida por entre berços esplêndidos e sujeita a espúrias transações. As pedras do garimpo essencial são: a dignidade, a honradez, a amizade, a fraternidade, a partilha, a honestidade, a sinceridade, o respeito, a gratidão, o amor ao próximo, o compromisso com os ideais, a crença, a coragem, a tenacidade, a moderação, o desprendimento, o altruísmo, a longanimidade.
Sabemos que a busca por pedras preciosas requer paciência, investimento, segurança para quem garimpa. Sabemos dos riscos de contaminação, de desânimo, de fracasso. Sabemos também, e como sabemos, que entre as mais preciosas das preciosas gemas se encontram os cascalhos, as pedras rudes, as impurezas de eras ancestrais e recentes. Restos desprezíveis que dão labuta ao garimpo, que requerem perspicácia, perseverança e fogo para purificar o que serve e separar o que é entulho, no cadinho efervescente. O fogo, alimentado pela juventude da nação, que consome o rebotalho e purifica as pedras nobres, deve ser sempre a democracia, por mais tentadores que sejam outros meios, por mais impurezas que esta transpareça, mas não há outra chama segura que empunhar, que esta, a democracia.
Dizer o quê a esta juventude fragmentada de valores? Indicar quais caminhos, se perguntarão a nós, em estreitos nós, se acaso nos encontramos, e que estranha herança deixamos para eles? Podemos, pelo menos, num sussurro de pedido de perdão, lhes indicar quais as pedras que devem evitar, por mais reluzentes que sejam, por mais douradas e brilhantes que resplandeçam: a cobiça, a mentira, a ganância, a avidez, o engodo, a ambição, a vaidade, o consumismo, a covardia, a corrupção, a mesquinhez, o desânimo, a desilusão, a descrença, a vantagem, o desperdício, a volúpia, a desonestidade.
Haverá pedras no caminho, como nos disse o poeta Drummond das Geraes, haverá pedras de tropeço, como nos disse o Mestre, pedras de moinho que nos tentarão afogar no mar de lama, haverá, no entanto, haverá, pedras angulares, sempre haverá; com elas construiremos muros de arrimo, moradias dignas, escolas, hospitais, tribunais justos, creches e berçários. Construiremos templos de vida com pedras vivas, pois somos as pedras vivas do dia de amanhã.
Pensei, na minha infinita ignorância, que as pedras eram inúteis, devo confessar. Na visão limitada que disponho, imaginei as pedras como seres parados, inertes, imóveis. Peço perdão às pedras e à juventude, e ao poeta, e ao Senhor de toda messe, que é a pedra angular de qualquer construção, especialmente a construção de uma nação, pois as pedras são essenciais, com o passar do tempo e sob a ação da chuva, dos ventos e da luz, elas vão se decompondo e sendo absorvidas por seres vivos e fazem parte afinal de seus corpos.
As pedras preciosas são o povo. Simples, trabalhador, fiel, cumpridor do seu dever, honesto, cuidadoso com a construção de sua casa de taipa ou de alvenaria, que em última instância são pedras derretidas no barro. Que somos nós afinal, senão argila (pedra pastosa) moldada na infinita misericórdia do Criador?
Construir uma nação que seja uma morada digna e segura e perene e prazerosa para seus habitantes é um trabalho contínuo, paciente e perseverante de gerações e gerações, pois o tempo é subordinado à eternidade, e a nação brasileira é muito maior que algumas pedras envoltas em lama.
Para a juventude brasileira com um pedido de perdão da nossa geração.
Assuero Gomes
domingo, 6 de novembro de 2011
Gratidão
Ao cair da tarde em Budapest...
Gratidão
S. Vicente e S. Luísa nos ensinam um grande dom, o dom da gratidão. Esse dom pertence aos filhos e filhas de Deus, que são tocados por sua graça. O próprio Jesus se admira com aquele cego dentre os dez que curou, e só ele voltou para render graças. Soubéssemos nós as graças que a cada segundo de nossas vidas são derramadas sem nós mesmos percebermos, não cessaríamos de dar graças a Deus. No entanto, para Ele apenas uma forma de gratidão é suficiente e eficaz: transformar os dons que Ele nos dá em ações concretas que mudem a vida dos milhares de necessitados que estão ao nosso redor.
Antes de cada celebração eucarística (ação de graças) devemos durante toda a semana, render graças da maneira mais eficaz possível, isto é, ajudando o irmão e a irmã que sofre a soerguer sua vida.
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