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sexta-feira, 2 de junho de 2017

Macunaíma funda um sindicato



Macunaíma funda um sindicato





Ouvindo o conselho do Frei, Macunaíma o grande patriarca brasileiro, intuiu o momento histórico que estava vivendo. Por um lado uma siderúrgica cheia de empregados insatisfeitos, por outro muitos desempregados, não se podia fazer greve nem protestar, um delegado truculento, uma classe de professores insatisfeitos, alguns intelectuais com pouco brilho ou plateia, artistas mais ou menos pobres, estudantes cheios de ideias e ideais, alguns padres e freiras e leigos embevecidos pela teologia da libertação, alguns ideólogos de esquerda foragidos e com medo da repressão, alguns bandidos traficantes de maconha, uma massa popular de pequenos artesãos e prestadores de serviço que só queria um lugar para trabalhar, tudo isso Macunaíma imaginou uma grande quadrilha de São João onde ele ditaria os passos da dança.
Organizou uma feijoada de domingo para depois da missa, no mesmo pátio onde o circo se armara da outra vez.
Trouxeram um caldeirão gigante, mas tão grande, como uma piscina do inferno, daquelas com fogo embaixo e cheia de enxofre.
Cada participante trazia sua contribuição e ia colocando no caldo da feijoada. A própria essência do caldo cultural brasileiro. Até o gerente da siderúrgica trouxe litros e litros de cachaça como presente do dono.
A festa durou três dias e três noites.
Nosso herói ao final mergulhou no caldeirão inteiramente nu e chamou as cunhadas, e todo mundo entrou, numa bacanal sem precedentes na história desse país. Dizem também as más línguas que houve cena de canibalismo, mas os sofistas disseram que era antropofagia.



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Dizem que foi depois desse banho cultural que Macunaíma começou a ficar louro, mas não é verdade, isso aconteceu bem depois, bem depois ....
 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Macunaíma envereda na política local



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Macunaíma envereda na política local


A festa de São João foi um sucesso !

Macunaíma percebeu os lugares ocupados pelos participantes da quadrilha, e como era inteligente procurou analisar como se comportavam. No comando estava um seminarista, chamado de Frei e conhecido por todos. O delegado era quem casava e batizava e estava sempre armado de um bacamarte e com dois capangas nas costas. O noivo era um barbudo quase maltrapilho e falando um matutês impecável, a noiva uma mocinha chamada Rosa ou Rose não lembro bem, bem caracterizada de noiva grávida. Os catadores e recicladores de lixo eram os melhores dançarinos e como não tinham pares, foi com muito esforço que algumas vitalinas se comprometeram a dançar.
Macunaíma observou também que cada um deu u pouco do quase nada que tinham para contratar a banda de forrozeiros, a cerveja e o quentão, cachorro-quente, milho assado, fogueira, pamonha, canjica, bolo de milho e tudo mais que uma boa e tradicional festa de São deve ter.
Uma doação do dono da siderúrgica foi bem-vinda e deu para animar mais ainda.
Macunaíma nessa noite bebeu, comeu, fumou tanto que embriagado, acordou no dia seguinte com uma bruta ressaca.
Estando na sua rede de estimação, enjoado e tonto, só pedia água.
Quando o padre apareceu de repente e perguntando como ele estava, deu-lhe um Sonrisal e um conselho:
- Meu filho, já que você não gosta de trabalhar e tem muitos iguais a você perambulando no pátio da Igreja, por que não chama seus amigos e funda um sindicato?



quarta-feira, 31 de maio de 2017

Macunaíma forma uma quadrilha




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Macunaíma forma uma quadrilha




Como naquela cidade havia muitos moradores nordestinos, muitos desempregados, muitos operários e operárias, a maioria participantes da paróquia e chegando o mês de junho e com ele as festas juninas, nosso herói foi chamado para participar. Dentre as atividades havia a formação de uma quadrilha para dançar o forró, como é de costume pelas bandas do Nordeste.
Nesse tempo também todas as atividades eram vigiadas.
Macunaíma mantinha uma relação quase promíscua com o delegado, e esse queria se inteirar de tudo.
Contava como estavam os preparativos para as festas, se haveria alguma manifestação política ou algum discurso (nessa época era proibido), se havia algum estranho infiltrado e assim por diante....
Em troca o delegado que prestava serviços particulares ao dono da siderúrgica, conseguiu dispensa de trabalho por quase uma semana para Macunaíma.
Foi assim que nosso Pai da pátria formou sua primeira quadrilha. Só para dar lembrar que também estava presente um grupo de catadores e coletores de lixo, que serão importantes num futuro próximo.
O amuleto continuava pendurado no pescoço do dono da siderúrgica, Piaimã. Uma espécie de sapo dourado em forma de falo.



(fotos do Google, texto uma livre adaptação baseada na obra de Mário de Andrade)

terça-feira, 30 de maio de 2017

Macunaíma se encontra com o delegado



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Macunaíma se encontra com o delegado



E estando na rede descansando e tomando canja de galinha com água fresca, foi surpreendido com a presença de dois araques de polícia.
Levaram-no imediatamente à presença do delegado.
Macunaíma reclamava e queria ver os documentos para seu encaminhamento coercitivo para a delegacia (naquele tempo não havia muito bem direitos humanos). O diálogo com o delegado, segundo testemunha de um dos araques foi o seguinte:
- O que você veio fazer pelas bandas daqui, seu preguiçoso?
-Nada doutor, vim atrás de meu amuleto...
-Amuleto porra nenhuma, vagabundo aqui não fica não.
-Estou procurando trabalho. Soube que tem uma vaga na siderúrgica...
-Você tem dois dias para arranjar esse emprego, senão boto você no xadrez e mando de volta para os Parintintins...
-Sim senhor doutor. O que o senhor quiser eu faço.


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Segundo relato de Macunaíma, tempos depois quando já estava louro foi assim que sucedeu-se:

-O que veio fazer pelas bandas daqui, seu preguiçoso?
- Me trate direito, pois direitos eu tenho. Sou cidadão e exijo respeito. Sua autoridade não me amedronta.
-Trabalha aonde?
-Vou me empregar na siderúrgica.
-Você tem dois dias para arranjar esse emprego.
- Você não tem autoridade sobre os trabalhadores desse país.

Não sabemos ao certo como se passou, o que se sabe é que se tornaram grandes amigos, e que a tudo Macunaíma servia ao delegado.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O Eldorado de Macunaíma, ou o lugar onde ele descobriu sua derradeira vocação...



O Eldorado de Macunaíma, ou  o lugar onde ele descobriu sua derradeira vocação...



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Nosso herói foi andando até uma cidadezinha perto de São Paulo, onde seu irmão Jiguê o encaminhou, orientando como encontrar seu talismã, que lhe fora dado por Ci, o grande amor da vida dele.
Chegando na cidade ele procurou uma paróquia da periferia, já que não havia circo, nem manicômio, apenas uma cadeia que vivia sempre cheia de vagabundos e de trabalhadores que faziam greve.
Nessa época o cacete comia frouxo, e o delegado nem gostava de trabalhador nem de vadio nem de maconheiro nem de padre. Eram tempos duros e a polícia mandava e desmandava.
A situação foi logo avisada a Macunaíma pelas beatas da paróquia que lhe arranjaram um quartinho com uma cama Patente, uma toalha limpa e um sabonete. Três dias sem tomar banho das sua longa caminhada.
- Macunaíma, você trabalha em quê?
- Sou detetive. Estou procurando uma joia que me roubaram, sem ela não tenho sorte.
- Enquanto você não acha, procure ali na funilaria que arranjam um trabalho para você...
- Estou doente, disse ele. Preciso de uma rede e de uma canja de galinha.
Assim as senhoras pobres daquele lugar lhe arranjaram tudo.
E arranjaram também uma grande dor de cabeça para ele...
Macunaíma contando as bravatas de matador de cobra a grande caçador, domesticador de onça e líder de seu povo no alto Xingu (jamais havia posto os pés lá), as velhinhas ficaram encantadas com a narrativa do nosso herói e disseram que ali havia uma grande siderúrgica cujo dono era um mostro chamado Piaimã e que ele trazia no pescoço uma oia parecida com o amuleto descrito por Macunaíma.
O caldo estava ficando quente para o indolente guerreiro do povo...



domingo, 28 de maio de 2017

Macunaíma encontra seu talismã




Macunaíma encontra seu talismã



No circo armado na Praça da Sé, Macunaíma fazendo amizade com os doentes mentais e com o pessoal da paróquia, viu ali uma oportunidade de não trabalhar.
Convenceu seu irmão Maanape que era trabalhador da metalúrgica e membro da paróquia a arranjar um lugarzinho para ele ficar ali perto morando de graça. Iria fazer as refeições no hospital psiquiátrico e para engrossar o caldo familiar chamou Jiquê seu outro irmão que vivia nas tribos falidas do Nordeste.
Foi a desgraça dos irmãos, pois Macunaíma acabou seduzindo as duas cunhadas e quando os irmãos saíam de casa Macunaíma ia lá e as faturava, mas isso é questão familiar e deixemos por hora esses conflitos do nosso herói, que acabou morando de graça, comendo de graça e se relacionando com as cunhadas de graça.
Cama, mesa e banho...Resultado de imagem para macunaíma e o talismã

É bem verdade que Sofará apanhava muito de Jiguê, pois ao invés de trabalhar ficava nas moitas com Macunaíma, tanto é que ele a deixou e casou com uma prostituta loura, muito bonita, que fazia ponto perto da praça da República. Seu nome era Iriqui, uma índia do Pantanal, mas seu cabelo era louro, louro, como uma propaganda de água oxigenada.
depois me lembrem de falar com Macunaíma mergulhou numa piscina de água oxigenada e saiu louro num terno Armani, mas isso é outra história.
A verdade é que o grande Macunaíma papou também Iriqui. Não escapava nada dele....
Traindo os irmãos e com a ajuda das cunhadas ele soube que o seu talismã, Muiraquitã, se encontrava numa cidade industrial na região da Grande São Paulo.
Com o tempo, o pai da nação, o grande líder, foi incorporando dentro dele o circo, o manicômio e a igreja. Com o talismã nada poderia segurá-lo nem detê-lo.

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(imagens do Google, livre adaptação 'midrash' da obra de Mário de Andrade)

 

sábado, 27 de maio de 2017

Macunaíma encontra um circo, um manicômio e uma igreja


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Macunaíma encontra um circo, um manicômio e uma igreja



Já em São Paulo e sem enfrentar o monstro que ele julgava estar com seu talismã, Macunaíma entrou num circo, desses mambembes que estava na Praça da Sé. Entrada grátis pois era 1o. de maio, e embora não trabalhasse, usufruiu dessa entrada gratuita. Além de vários trabalhadores e trabalhadoras estava aberta a porta para uns pacientes do manicômio.
Nosso herói observou as apresentações atentamente. Comeu pipoca de graça e algodão doce. Fez contato com alguns pacientes e como era falastrão ficou tendo um pouco a atenção da plateia. Foi gostando daquilo. ....