Visitantes

sexta-feira, 20 de abril de 2012


                                         Berlin

























Berlin

Berlim, um local onde tudo acontece.
Uma cidade em eterna construção, um povo alegre,
onde eu vi as mais belas peças de museu, inclusive a mais bela das mais belas, Nefertiti...

Berlin, ein Ort, wo sich alles abspielt.
Eine Stadt im ewigen Bau, ein glückliches Volk,
wo ich sah das schönste Museum, darunter die schönsten der schönsten, Nofretete ...

( a tradução foi feita a partir do Google tradutor)


Assuero Gomes
assuerogomes@terra.com.br

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Espelho, espelho meu... (Mirror, mirror...)

                                                  imagem promocional do filme by Google image

 

                                     Espelho, espelho meu...

 
 
"A magia de uma das mais famosas fábulas chega às telas de cinema em uma releitura original e encantadora que conquistará toda a família. Lily Collins (Um sonho possível) vive a princesa exilada Branca de Neve e é perseguida pela Rainha Má (Julia Roberts), que governa o reino sem piedade. Na sua luta para conquistar o trono a que tem direito e também para ganhar o coração do príncipe encantado (Armie Hammer), Branca de Neve contará com a ajuda dos leais e destemidos sete anões nessa aventura fantástica cheia de romance, rivalidade e muito humor."
 
............................Essa é a descrição resumida promocional do filme (release), mas o filme é muito mais que isso...
 
Surpreendeu-me o filme. É um verdadeiro tratado sobre o relacionamento feminino entre si. O filme envolve arquétipos consegrados, elementos de psicanálise na melhor linha freudiana, apresenta uma estética merovíngea e surrealista de extremo bom gosto.
As personagens masculinas são extremamente frágeis e efeminadas, com exceção dos anões, que precisam de artifícios para obter estatura em todos os sentidos. Já as femininas são fortes e poderosas.
O último diálogo entre Lily Collins e Julia Roberts já paga o filme e resume antologicamente o referido relacionamento da mulher com a mulher.
 
Assuero Gomes

domingo, 15 de abril de 2012

De coisas raras e de outras até banais ...



                                           Photos by David Sôlha




De coisas raras e de outras até banais ...



Serão banais para outros e tão preciosas para nós mesmos, que serão as únicas coisas que nos acompanharão até o crepúsculo, nossas memórias.

Serão paisagens inacessíveis em antigas folhinhas de calendários, serão sabores, aromas e cheiros. Serão pedaços de versos rotos ou pequenos desenhos rabiscados às pressas nos cadernos de dever de casa. Serão momentos que se tornaram com o tempo, tempos de delicadeza, cacos que foram polidos ou desgastados com o passar das manhãs e dos verões, e agora parecem gemas preciosas

Aromas de extratos requintados, de perfumes suaves, guardados em preciosos frascos na prateleira do já senti, nalgum baile de alguma menina arisca ou indiferente, que aflorarão na pele de nossos fantasmas quando menos esperarmos, e nos enlevarão com ternura. Há passeios onde nem passamos, mas que em nosso conto de criança, terão sido castelos e fossos e dragões com belas princesas intransponíveis e nem sempre adormecidas.

Certamente no crepúsculo veremos, com os olhos de se ver por dentro, o dia amanhecer por trás das duas montanhas que pintamos com o verde novo do lápis de cor do primeiro dia de aula daquele ano, ou mesmo ouviremos os passarinhos que colocamos na frente da nuvem branca, e que pareciam tão vivos, que voaram para sempre.

E os sabores? Belos sabores, tão singelos como hoje já não se apresentam mais, preparados em casa, uma simples banana com leite em pó, ou um doce de fim de tarde, um bolo caseiro, ou até mesmo uma pipoca em frente a uma televisão de imagens cinzas e de móvel trabalhado, tão imponente e que nos acompanhou por tantas aventuras e que demoravam uma hora para acender, mas para que a pressa?

O jogo de futebol na rua baldia, a missa no domingo na capela da cruzada, o muro sem grades, baixo, o terraço, as cadeiras de vime, os pedintes no dia certo, na hora certa, que conhecíamos pelo nome. Era tudo tão eterno. Era tudo tão eterno, que jamais pensei que pudesse acabar.

As visitas, as conversas, as preocupações tão frívolas e simples, como os arranhões nos joelhos depois do jogo, e o mercúrio cromo tão vermelho que nos deixava como os Navajos perseguidos pelo mocinho e estampavam ao mesmo tempo a traquinagem e o cuidado materno.

Adoecia-se tão pouco que só me lembro de ter ido ao médico uma única vez engessar o braço e também a um pediatra por um problema de garganta. Era menos doloroso e complicado ser criança.

As pessoas e os sentimentos que evocam, depurados com o tempo, são como relíquias em sacrários medievais. Estão guardados. Estão ocultos. Estão secretos, sagrados. Aspergem lembranças quando são invocados, fazem parte do fardo ou da leveza que somos condenados a carregar como Sísifo ou a voar como Ícaro, até que a luz nos absorva completamente.

O sopro, esse sopro tão tênue que nos transmitem os fantasmas renegados, podem transformar-se em tempestade em vez de brisa, podem assombrar ou enternecer como um espelho, e podem desaparecer consigo mesmo levando nossa imagem e existência com eles. Seremos então livres da nossa memória, mas refém de nossos fantasmas.



Assuero Gomes







sábado, 14 de abril de 2012

Canibalismo à brasileira



Não faltava nada a mais para o Brasil. Canibalismo grotesco em Garanhuns e ainda com vocação para camelô, com venda de quitutes (coxinha e empada) à base de carne humana.
É macunaíma comendo a si próprio. A autofagia de um povo.
Assuero Gomes

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Anencéfalos num país acéfalo








Anencéfalos num país acéfalo



Bucéfalo era o cavalo de Alexandre o Grande, o maior general que se tem registro na história da humanidade. Era um cavalo inteligente e aprendeu a conviver com seus limites ao encarar o sol. Muito inteligente este cavalo.

Há países acéfalos. Ou seriam países governados por anencéfalos? Ou ainda, anencéfalos governados por microcéfalos?

Pobres anencéfalos biológicos, humanas crianças que ao nascerem trazem pequenos momentos de amorização filial, pequenas fímbrias afetivas, instantes de vida que, efêmeros como a flor da noite, voltarão ao Criador intocados pelo pecado, imaculados. 

Microcéfalos adultos duvidam que haja pessoa humana nos pequenos entes que por algum motivo não desenvolveram a totalidade dos órgãos de uma criança completa. Dir-se-á a princípio que por ser inviável a vida biológica por muito tempo, haverá de se interromper a gestação, e assim, neste princípio, os microcéfalos passarão a ter direito de interromper os cardiopatas graves cuja gravidade cardíaca os impedirá de viver mais que um dia fora da primeira casa, o útero materno, e assim de desprincípio em desprincípio haverá de só nascerem os viáveis, os sadios e mais tarde apenas os sadios mais bonitos e os que serão mais inteligentes, mais fortes, mais competitivos...

Ah, já ouvimos esta fúnebre melodia germânica na década de trinta.

Mães, se assim podem ser chamadas, pensando que têm um corpo, esquecem que na verdade são um corpo. Seus fetos não têm um corpo, eles são um corpo também. São outros. Não são apêndices da mãe. São o Outro. Carregam em si mesmos toda a carga ancestral de bilhões e bilhões de anos do universo, de lutas, de travessias, de virtudes e defeitos, enfim, de humanidade. São únicos e sua individualidade é um desafio e um consolo, são a prova que a diversidade e a pluralidade são intrínsecas dos humanos. São de sua natureza.

Quando Deus quis deixar sua Palavra para os homens e as mulheres, muito antes de transmiti-la através das escrituras e da boca dos profetas, Ele a inseriu no íntimo do íntimo de cada ser vivo, na centopéia e no rinoceronte, na borboleta como no flamingo, tanto na grama como no casal de namorados sobre ela, e em cada embrião humano. Deus escreveu a palavra da vida através de quatro letras apenas, a saber T (timina), A (adenina), C (citosina) e G (guanina), que constroem o genoma.

Os recém-nascidos que por um motivo ou por outro trazem algum defeito na expressão corporal desta linguagem divina, são seres vivos, filhos do Homem, filhos de Deus.

Anencéfalos na verdade são aqueles que, olhando para a luminosidade infinita que emana da fonte primeira de toda criação, de onde brota toda a vida, não se sentem ofuscados. Talvez estejam cegos de presunção e a luz já não incomode, talvez estejam cegos de ignorância e achando que enxergam se ceguem cada vez mais.

Microcéfalos criaram uma sociedade abortiva, que mata de fome suas crianças jogando-as na periferia da vida, sem chance, sem esperança. Contraditória sociedade que discute o aborto e semeia embriões ao léu, e semeia caixões de anjos nus.

Bucéfalo, o cavalo de Alexandre, era um cavalo inteligente...



Assuero Gomes

Médico e escritor

domingo, 8 de abril de 2012

O Vivo entre os mortos ... (Lc 24,5)

                                         


O Vivo entre os mortos... (Lc 24,5)



Ante as mulheres sofridas e atemorizadas que foram procurar Jesus no túmulo, o anjo pergunta ‘por que procurais o vivente entre os mortos?’.

As mulheres que procuram os seus filhos nas cadeias, nos noticiários policiais, nas estatísticas dos Institutos de Medicina Legal, são as mesmas que vivem entre túmulos, desviando o coração de balas perdidas e de acidentes de motocicletas. São as mesmas que inalam o crack dos filhos viciados e pagam aos traficantes com seu desespero.

Procuramos nós também Jesus no túmulo onde o puseram (ou pusemos) para que não nos incomodasse e sempre voltamos à lápide tumular para nos certificar que está bem fechada a entrada (ou seria a saída?).

Na quaresma eterna da caminhada das mulheres, vemos e convivemos com milhares de mortos e muitas vezes não pensamos encontrar Jesus entre eles. São os mortos pelo descaso da saúde pública, os que continuam comendo lixo no país da fartura, os sedentos no país dos mananciais, os mortos do sistema da justiça, dos que já nascem mortos socialmente. Buscamos Jesus nos grandes túmulos suntuosos que chamamos catedrais, para que seu corpo inanimado, inerte, repouse o sono dos séculos e não nos assombre a consciência de vez em quando, permanecendo ali, bem quietinho, no sacrário de ouro.

Como é tranquila a paz dos cemitérios!

Como perturbam essas mulheres que vêm procurar o Nazareno! Deixem que durma em paz, como numa derradeira manjedoura, pois o natal já passou.

No grande cemitério nacional assombrações de paletó e gravata infernizam a vida do povo. Desviam, subtraem, malversam, subjugam, exploram, enriquecem, enriquecem, enriquecem, com o dinheiro amaldiçoado trinta vezes, pois são o preço da escravidão de uma nação inteira. Quem era para mudar mantém, quem era para redimir, corrompe, que era para libertar, aprisiona, são os mortos vivos, vagando cegos pelo dinheiro e pelo poder de César.

Mas, por que procurais o Vivo dentre os mortos?

Ele tomou as vestes alvejadas no sangue do testemunho, calçou as sandálias da liberdade, inaugurou o Dia do Senhor como numa Páscoa eterna e plena, e agora anda livre nas estradas, soerguendo os irmãos e irmãs debilitados nas esquinas, alimentando com o pão da partilha, criando pequenas comunidades fraternas nas vielas e desvios dos grandes centros.

Mas, por que procurais o Vivo dentre os mortos?

Deixai que os mortos enterrem seus mortos, pois o Vivente está ressuscitando pessoas e nações, está curando, está salvando o Homem do próprio homem, reintroduzindo a humanidade perdida no coração de cada um e pondo uma brasa ardente na língua dos pequeninos e uma flecha em seus corações, para que a Palavra seja anunciada e transforme a realidade do cortejo, fúnebre no qual estavam mergulhados, numa grande procissão festiva das bodas definitiva do povo com seu Deus.

Mas, por que ainda procurais o Vivo dentre os mortos?

Ide agora e escutai essa boa nova, primeiro dentro de vós mesmo e depois a anunciai aos doze de vossa comunidade e a Terra inteira. Hoje é Páscoa, a Páscoa definitiva, a vitória da Vida sobre toda morte.



Assuero Gomes

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Páscoa dos Homens e das Mulheres

                                                 detalhe do vitral da Catedral da Sé de Lisboa



                                              A Páscoa  dos Homens e das Mulheres





Pessach, atravessar sobre, transpor,  passagem, mudança de um estado de morte para a vida. Vida plena. Passagem do estado de oprimido para liberdade. Da fome para a plenitude. Saciar-se com os bens da Terra, saúde, fartura, bênção, prenuncio da realidade na dimensão escatológica. Da tristeza para a felicidade sem fim.

Da morte para a ressurreição. Do sarcófago para o berço. Saber, com certeza, que a última palavra é a palavra da vida, é a palavra de Deus, é a Palavra. Tudo isso é Páscoa !

Para os cristãos não há como dissociar a ressurreição da cruz. Uma dá sentido à outra. Tentados somos a só querer experimentar a ressurreição, como se a páscoa fosse uma ligação de uma mesma coisa, de vida com vida, assim não seria páscoa, seria a realidade última para onde tudo e todos convergem, mas não seria a páscoa.

Celebrássemos nós somente a ressurreição sem o referencial da cruz, cairíamos na festa dos sentidos, até mesmo do intelecto, mas apenas isso. Em outra direção, celebrássemos apenas a cruz, sem a dimensão da ressurreição, cairíamos desta vez, no puro ativismo e acabaríamos construindo muros e mais muros, que acabariam por nos aprisionar e nos sufocar.

Muitos ficaram chocados com as cenas cirúrgicas do filme de Mel Gibson. Há, porém, nele o mérito de ter trazido à nossa lembrança o fato de que Jesus foi aprisionado, torturado e morto como preso político, muito perigoso por sinal, uma vez que desestabilizava o sistema do mundo, quando propunha uma conversão (metanoia) dos homens e das mulheres. Não vi também nenhuma conotação anti-semita neste filme, pois na verdade quem condena Jesus não são os judeus, nem os romanos, é o sistema que domina o mundo, independente de qual grupo esteja naquele momento exercendo o poder. Quem condena Jesus é o egoísmo dos homens e das mulheres quando exercem toda e qualquer forma de dominação sobre o pobre, o excluído, o marginalizado. Lembremos, contudo, a contrapartida da vida, não é a morte que tem a última palavra: a cena tranqüila da saída do túmulo.  A luz do dia penetrando na escuridão da terra, a face serena do Vivo, mesmo trazendo nas mãos e no coração as cicatrizes dos sofrimentos. É a passagem (pessach) plena.

Algumas pessoas conseguem realizar a páscoa quase plenamente ainda nesta vida, são aqueles que se dedicam ao essencial: transformar a realidade de morte em sinais de vida para seus semelhantes. É Helder Camara, é Gandhi, Antonio Conselheiro, Martin Luther King, Margarida Alves, Tereza de Calcutá e tantos e tantos outros, homens e mulheres que conseguem ser caminho e iluminar o caminho dos outros.

É tempo pascal.

Façamos nós a nossa páscoa. Cuidando da vida, dos pobres, da Terra. Cuidando dos outros. Fermentando um novo tempo onde não haja mais necessitados, nem choro nem lágrimas. Mudar o mundo se começa mudando dentro de nós, na nossa família, no nosso dia a dia, em pequenas coisas, que vão se juntando numa corrente de solidariedade e de repente já não é mais noite.

Uma feliz e contínua páscoa para todos, especialmente para os amigos Joezil, Lívio e Analíria.



Assuero Gomes