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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A Festa dos desesperados III

A Festa dos desesperados III

O pessoal foi se achegando ao redor do cabaré. Ouviram o som e a notícia da cachaça de graça. Os chefes chamaram o dono do cabaré e prometendo que iam pagar depois, penduraram a conta e mandaram distribuir mesmo tudo de graça. A polícia ficou para depois. Ganharam mais um tempo e foram saindo de fininho.
Os desesperados vararam a madrugada ao som do pagode, do frevo e do axé. Continuou tudo em carnaval. A conta vai para eles mesmos, depois.
O problema é a ressaca e no dia seguinte ter que trabalhar para pagar a conta da festa no grande cabaré.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A festa dos desesperados II

A festa dos desesperados II

E o bolero, ao som deste a festa vai desenrolando. A polícia cerca já com algemas nas mãos, quer adentrar no recinto. A cantora rouca e desafinada tenta alçar a voz, não consegue. A orquestra latina ensaia uma quadrilha junina, o chefe, já não se aguentando de pé, solta impropérios.
Fingem que cantam, que se divertem, que são felizes. A luz vermelha piscando nos olhos confundem as mentes bêbadas, ora pensam que é a sirene do camburão, ou da ambulância ou da gang mesmo.
A cachaça e o rum já nem embriagam mais, as 'meninas' já não dançam nem encantam, uma festa de fim de feira.
Dali sairão para onde?

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A festa dos desesperados




A festa dos desesperados

Como quem estivesse em iminência de ser preso ou degolado, ou desempregado, juntou-se o grupo para uma festa. Uma grande festa para mostrar normalidade. Dessas festas de encher os olhos e ser comentada pelo bairro, e encher os salões de manicure com conversas e mais conversas.
Prostitutas de luxo e outras até banais, luz vermelha como nos melhores cabarés de Jorge Amado, palco vermelho, olhos vermelhos. Risos frouxos, gargalhadas como anteparos do medo. Bandeirolas vermelhas.
Uma cantora, como uma travesti, destoava entre roucas palavras, outras vezes amaciava em falsete. Tudo era falso, até o brilho da noite tenebrosa.
Chamem os incautos, os bêbados, as catitas, os que acham que essa luz é melhor que o amanhã. Comam, bebam, requebrem, cantem, pois é o melhor que conseguiram e amanhã podem perder.
A orquestra de doze tocava suas músicas caribenhas e a rouca, entre caras e bocas, se esforçava para agradar.
A festa dos desesperados espichava a noite para que não acabasse. Cachaça para as mesas mais afastadas da diretoria, rum para a mais perto, whisky se chegando e na mesa central puro malte importado.
Ao som desse bolero...