Visitantes

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Helden e Panning um só coração, uma só oração






Uma resenha em imagens e emoções.
Eis Helden e Panning, unidas como duas unidas, com seus passarinhos e alta esperança.









Pe. João Pubben e eu. Recepção calorosa. Aposento simples, confortável, digno, sem nenhuma ostentação nem privilégio. Uma mesinha com computador, internet e um aparelho de televisão. Um quadro de S. Vicente acolhendo uma jovem molestada em frente a uma favela pernambucana. No manto que protege escrito O Silêncio de Deus no coração do pobre. Junto na mesma parede um retrato de D. Helder com o Pe. João.





Calorosa recepção e acolhida. Recebo presentes para mim e para os amigos de Recife, em especial para irmã Vanda, companheira de tantos trabalhos para os pobres, que completa 50 anos de vida consagrada nesse serviço inspirado de Vicente e Luísa.




Uma mesa farta de carinho. Um bolo de chocolate delicioso e um café bem quentinho.





Notem que nosso anfitrião veste apenas um leve casaco, numa temperatura de gelar qualquer nordestino (+- 5.oC ). Aí, onde está morando é no Centro de S. Vicente em Panning.







A igreja de Panning.








Belas fotos de um local encantador.


Agitação terrível, um trânsito caótico, barulho, confusão, como em Água Fria na quarta-feira de cinzas com o bloco Os Irresponsáveis.



Belas casas simples, cada uma diferente da outra conservando a harmonia do estilo.







Helden, onde Pe. João nasceu, seus pais, seus avós, suas raízes estão fincadas aí, embora seu espírito tenha voado muito cedo dessas copas para servir aos pobres no Brasil





Belo coreto. Quantas noites reuniram moradores em torno de si, trocando sonhos e afagos?













A hospitaleira pousada que nos hospedamos, providenciada cuidadosamente pelo Pe. João. Tão boa que perdemos a hora!





















Detalhes que revelam o modo de vida, da estética, do holandês.







Imagens da pousada.









O lugar que tem a honra de hospedar nosso amigo. Na bandeira azul, a assinatura de Vincent du Paul





Imagens bucólicas de tranquilidade e paz.










Olhem ele aí, corado, ativo, esperto, lúcido, e apenas com esse leve casaco (não sei como ele aguenta!)








Dois irmãos que bebem no mesmo cálice e partem e repartem o mesmo pão.












Corredores longos, aquecidos, nas paredes os quadros dos visitadores da Congregação da Missão
desde o fundador, S. Vicente de Paulo!












Feliz ficamos







A igreja de Helden, onde ele e seus antepassados foram batizados e serviram como sacristão desde o século XVII (salvo engano meu). Ele pediu para abri-la para nos mostrar pois à hora não havia serviço religioso.








Nave central. Essa igreja foi bombardeada pelos nazistas e o sino tentaram roubar para derreter e fazer armas.









O sacerdote olha com olhos de lembrança a primeira missa celebrada...









E caminha sereno para o altar. lembra exatamente onde sua mãe sentava nas missas e seu pai sempre ativo ajudando no altar.










David meu filho.






Na sacristia, a parte nova.







O sino. Notem a data: 1736








Belos vitrais.







Uma grande igreja, que gerou verdadeiros cristãos.









O Cristo flagelado









A pia batismal onde João foi batizado, e seus ancestrais.













Durante o ano, fica exposto o retrato das crianças que foram batizadas e dos que já partiram.













O lado externo da igreja.




 Uma tranquilidade sem limites. O sacristão disse que nesse dia estava 'quentinho'. Imagino quando ele acha frio!!!!!





Detalhes externos.





A casa onde Pe.João e seus irmãos nasceram. Fica praticamente colada à igreja.











Mírcia, com o dia 'quentinho'






Reunidos em Helden na casa 'natal' de Pe. João.











Essa árvore foi plantada em homenagem ao nascimento da rainha Beatrix da Holanda, quase na mesma data de Pe. João. A placa está mais abaixo.

















Detalhes de um lugar muito importante para todos que conhecem o nosso irmão.









Essa placa, em cima do confessionário foi feita em Olinda, quando o pai dele esteve lá e trouxe-a para Helden.






Cristãos nunca se despedem.






Até uma primavera!!!!






quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Uma crônica para Helden-Panning,Holanda

Para Helden e Panning

Após usufruir de uma bela paisagem rural dos Países Baixos, eis que me vejo chegando a Helden na Holanda, vindo de Köln (Colônia). O que faz um reencontro tão especial e importante é o caminho que vai se encurtando para se ver o amigo que estava distante, mesmo que apenas geograficamente.
Especial é a espera. Pensava em encontrar uma cidade pequenina e cinza, fria como esse ar de inverno.
Surpreendeu-me. Como um cenário de contos de fadas.
Um conjunto de casas muito bem construídas cada uma diferente da outra, com um conjunto arquitetônico sem igual. Um povo tranquilo, sem sirenes nem ambulâncias nem polícia nem cadeias. Bucólica como um livro da infância.
Re-encontrei meu amigo e irmãos João Pubben. Ali inserido na sua própria paisagem como antes nunca havia visto. Acostumado estava eu a nos vermos nas celebrações helderianas da Igreja das Fronteiras e nas construções comunitárias com o povo de Dois Unidos, Passarinho e Alto da Esperança. Encontrei-o ali sentado no seu quarto, amplo por sinal, bem instalado na frugalidade permitida a um seguidor de Vicente e Luísa. Recebeu-nos com um gostoso bolo de chocolate e café.
Um encontro dentro do reencontro.
A curiosidade nossa fazia perguntas e perguntas sobre as mais diversas coisas: costumes do lugar, cores, palavras holandesas, pessoas, clima, comidas típicas, amizades, sua infância, em profusão, deixando o nosso amigo um tanto quanto desorientado de tantos questionamentos.
Saímos para conhecer Helden e Panning. Um frio cinzento e árvores desfolhadas contrastavam com o calor do reencontro. Bela paisagem daquelas cidadezinhas unidas agora geograficamente. Nosso amigo nem parecia se incomodar muito com o frio, pois vestia-se com um simples casaco por sobre uma roupa simples. A igreja, a casa de seus pais, as lembranças, a árvore plantada quando do nascimento da rainha Beatrix,
A igreja onde celebrou a primeira missa, onde foi batizado, onde gerações e gerações de seus ancestrais serviram no serviço litúrgico. Em Helden e Panning o tempo desconhece o tempo, pois tudo parece não ter pressa.
A pousada onde ficamos, uma típica casa holandesa do século passado, muito acolhedora. O frio e a claridade não tropical e o cansaço da viagem fizeram com que dormíssemos mais que o planejado, e atrasamos todo o  planejamento quase britânico do nosso anfitrião (prometemos que da próxima visita seremos mais pontuais).
Fomos almoçar num restaurante muito bom,numa espécie de clube campestre, tudo cuidadosamente providenciado por João.
A conversa entre perguntas e perguntas dos brasileiros ávidos por conhecer o lugar, recordou, como numa midrash, o caminho percorrido até aqui sem fazer muitas projeções para o futuro, mas conscientes que o bom combate continua.
Os cristãos nunca se despedem.
Recebi um livro sobre os lazaristas de lá. Ficamos de voltar em alguma primavera. Em alguma primavera voltaremos.
Um grande abraço, Pe. João, do tamanho da Holanda e do Brasil, e obrigado pela bela acolhida e pelas sua cidade.

Assuero Gomes

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Para a espera do Natal





Para a espera do Natal

                                                                   

Talvez devamos nos portar como quem espera um visitante que não marcou hora nem dia, mas que deixou a esperança de sua presença, por esses tempos. devemos perguntar então: - será que Ele vem?
Para quem perguntar? A única pessoa que poderia nos responder seria o primo, João. Mas João anda muito abusado ultimamente. Carrancudo. Exigente. Às vezes faz até ameaças: o machado está posto, o fogo está aceso, a palha será juntada e jogada no fogo, convertam-se raça de víboras, e assim por diante.
João já está cansado de tanta patifaria e podridão nesse lugar. É roubo, suborno, traficância, adultério, sodomia, coação, violência. A violência é tanta que não dá mais para relaxar. Quem era para fazer a justiça, suborna. Quem era para libertar, oprime. Quem era para salvar, corrompe. Quem era para alimentar e saciar, desvia. Quem era para gritar, cala os pequeninos. Quem era para proteger, violenta.
Não sei não, está difícil... João não transige.

Seu primo vem?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A Porta do Coveiro




A porta do coveiro

Na cidade em ruínas havia várias portas, que eram como portais. Essas portas ligavam realidades diferentes, porém na mesma dimensão. Era como entrar em uma tentando sair e aparecer na outra. Pois bem, havia a porta do prefeito, do gari, do médico, do padre, do juiz, do engenheiro, da advogada, do pistoleiro, da beata,  da professora e a do coveiro. Havia outras, a bem da verdade, mas essas já dá para se contar essa história.
Quem tentava sair desse lugar sempre retornava por outra porta.
A porta do prefeito era a mais procurada. Indubitavelmente. Quase todo mundo pelo menos uma vez na vida batia lá. Para pedir e algumas vezes para reclamar. Quase nunca eram atendidos. Mas continuava sempre a mais procurada.
A porta do gari era uma porta singela, em contraste com a do prefeito. Uma porta limpa a do gari. Por lá toda sujeira da cidade passava e ninguém notava. Ninguém ia lá, a não ser quando esse entrava em greve e ia bater na porta do prefeito e o lixo se amontoava. A porta do médico ninguém queria visitar, mas pelo menos uma vez na vida, todos passavam por ela. Da porta do prefeito, quando se conseguia entrar se saía sempre. Desanimado e às vezes pela porta dos fundos. Da porta do gari ninguém entrava, então também não se saía. Da porta do médico se entrava a contragostro e se saía às vezes satisfeito, às vezes apreensivo outras vezes não se saía.
A porta do padre, essa era imponente. Majestosa. Era antiga como a cidade, que aliás fora surgindo ao redor dessa porta. Alguns habitantes da cidade habitualmente entravam por ela. Entravam pesados e saíam mais leves em todos os sentidos, mas a média de idade deles estava aumentando.  Quanto a porta do juiz, esta era quase inacessível. Ninguém queria ir. Só em última necessidade e geralmente na companhia da advogada. Este sim, tinha uma porta fácil. Construída pelo engenheiro. O engenheiro por sua vez tinha uma porta retangualar, calculada, medida na forma justa. Quando construiu a porta da advogada houve uma querela qualquer.
Quem entrava pela porta do juiz algumas vezes saíam pela porta dos fundos que é gradeada. Demoravam muito e muito para de lá sair. Da porta do engenheiro, ao transpô-la poder-se-ia retornar, estava sempre no mesmo lugar, imutável. Ao se passar pela porta da advogada se ía e se vinha, se entrava e se saía. Se buscava uma preciosidade que se estava preste a se perder.
A porta do pistoleiro era sui generis. Escura. Construída com restos. Sombria. Pouca gente entrava por ela, alguns saíam. Aparentemente mais leves, com um peso invisível que jamais seria descartado. Ao lado estava a porta da beata. Uma porta antiga cheia de santos e amuletos. O interessante era que todas essas portas descritas estavam mesmo numa única rua curvilínea. Quem entrava na porta da beata saía mais leve, mais contente. Mais que qualquer outra, a porta da professora era a mais frequentada. Todos os habitantes daquela cidade estranha haviam passado por ela. Saíam melhores do que entravam.


Assuero Gomes
assuerogomes@terra.com.br