terça-feira, 30 de junho de 2015
terça-feira, 23 de junho de 2015
O Encontro. (baseado em uma história real)
O Encontro
(baseado em uma história real)
Durante alguns anos de sua vida o
padre vivenciou uma vida de fé, servindo numa paróquia de periferia em um dos
morros do Rio de Janeiro. Muito jovem, ligado aos ideais das lutas sociais e
religião, teve uma bonita e profunda formação teológica cristã engajada.
Oriundo de família pobre do interior de Minas, conseguiu a muito custo se
ordenar. A designação para trabalhar na comunidade do Morro foi o coroamento do
sonho que sempre idealizara, desde os primórdios da vocação. Servir ao pobre e
libertá-lo.
Um difícil sonho de ser sonhado e
que muitas vezes tornou-se como um pesadelo, pois a violência, como a besta do
Apocalipse, tentava devorar a tudo e a todos.
Ameaçado constantemente por
traficantes, pelo descaso dos programas do governo, por falta de incentivo da
própria comunidade amedrontada, esse padre tinha um grande consolo. Ao final de
cada tarde, antes de celebrar, ele se punha de joelhos em frente ao sacrário
improvisado na capelinha, e sentia a presença do Ressuscitado, quase que falando
fisicamente com ele.
Passando o tempo, o padre foi se
revoltando com a falta de ‘sucesso’ de sua pastoral. Desanimado, foi se
sentindo impotente, abandonado, diante de seu ‘fracasso’, pois os jovens na sua
maioria se entregaram às drogas e à prostituição.
Teve seu barraco e a capelinha
incendiada, denunciou à polícia, sem êxito, pois a própria corporação policial
evitava o confronto direto naquela localidade. Desesperou-se. Procurou reunir o
pessoal do Morro, procurou falar com alguns políticos, sem nenhum sucesso. Enfim,
numa tarde, talvez uma das últimas, ele conversou com Ele: “estou cansado,
muito cansado. Não vejo nem Tu ajudar-me. Vou embora. Cuida desse rebanho que é
Teu”. Nesse dia não sentiu nenhuma resposta.
Mudou-se, entregou a capelania,
com o tempo foi ser ativista político e ensinar numa escola pública, casou. Os
anos se passaram. Perdeu a fé.
Um novo padre, recém-ordenado,
retomou o trabalho pastoral naquele local. Aos poucos obteve algum sucesso, uma
meia dúzia de jovens e algumas senhoras idosas, passaram a frequentar
assiduamente a capela, que foi restaurada. Muito sacrifício e dedicação da
mesma forma que seu antecessor, muita resistência também.
Ultimamente um homem, de certa
idade, cansado e melancólico sobe ao morro quase três vezes por semana e vai
ficar perto do sacrário da capelinha restaurada. Fica olhando e olhando,
fitando o infinito, com olhos vazios. Senta-se em frente, num tamborete de lá
mesmo, e assim permanece por mais de meia hora.
O padre atual, que não lhe conhecia,
achou curioso e estranho que um homem viesse sempre ali e ficasse parado e
mudo, olhando fixamente para onde se guardam as hóstias consagradas. Um dia
perguntou ao estranho: - por que?
Ele lhe contou sua história em
poucas palavras e disse, para espanto do novo padre “venho aqui pela saudade do
Encontro”.
Assuero Gomes
Cristão católico leigo da
Arquidiocese de Olinda e Recife
quarta-feira, 3 de junho de 2015
A jabuticabeira e a videira
A jabuticabeira e a videira
Assuero Gomes
Médico e Escritor
Jabuticabas nascem diretamente do tronco e das
raízes. Uvas nascem de ramos dos ramos. Ambas frutificam ao sol. São doces.
Dão-se em vinhos e licores. Alegram o corpo e o espírito.
A jabuticabeira (Myrciaria cauliflora) e a videira
(Vitis vinífera) são belas e distintas.
A jabuticaba quando arrancada da planta, logo se
acidifica, devendo ser fruta para ser apreciada imediatamente à sua colheita,
de preferência à sombra da sua árvore. A uva se mantém doce, mesmo tendo-se
colhido há tempos.
A videira é universal, assim como a salvação, veio
do oriente. A jabuticabeira nos foi dada pela Mata Atlântica brasileira, é
universal também, no universo dos povos da mata do Brasil. Ambas alegraram e
alegram a vida dos povos.
As pessoas são como frutos da Terra mãe, que recolherá
suas sementes algum tempo após. As pessoas e seus povos frutificam ao sol.
Algumas são doces e produzem vinhos e licores, e também mel. Algumas pessoas são como as jabuticabas,
vivem independentes ligadas sozinhas ao tronco ou às raízes. Outras são como as
uvas, vivem em cachos, ligadas aos ramos dos ramos.
As sociedades podem ser como as jabuticabeiras ou
como as videiras. Geram pessoas e suas entidades, como frutos isolados ou como
cachos. Seus troncos podem ser únicos e centralizadores, ou podem se espraiar
ao sol com mil folhas e gavinhas.
As pessoas das jabuticabeiras se tornam ácidas
quando perdem o contato com o tronco. As da videira, mesmo longe e
espezinhadas, trituradas e moídas no lagar da vida, estarão sempre unidas e
darão um bom vinho e alegrarão a noite dos insones.
Entidades e religiões são como jabuticabeiras e
videiras. As jabuticabas são ligadas a um único tronco e suas raízes. Procuram
o sol e se penduram uma a uma numa escalada ao céu. Acreditam que há um só
tronco e uma só salvação.
As uvas são ligadas entre si e aos ramos dos ramos
e estes por sua vez aos ramos mais grossos e todos são a videira. Pesam uns
para os outros, arriam, sustentam-nos a força da videira. Miram o céu, se
banham de sol, mas estão perto da terra, sempre perto da terra, a um passo da
terra e tão perto do céu.
As jabuticabeiras dão seus frutos como criações
individuais e as videiras como criações coletivas. O sol e a primavera chega
igualmente para ambas, o vento também, a noite desce com seus sinais luminosos
para todas e a chuva, como uma bênção, espalha sua vitalidade como no jardim do
Éden, na primeira manhã.
terça-feira, 12 de maio de 2015
quinta-feira, 23 de abril de 2015
domingo, 19 de abril de 2015
Casa Grande
- Casa GrandeFilme de 2014
- Data de lançamento: 28 de janeiro de 2014 (mundial)
- Duração: 117 minuto
Um filme que tem tudo para refletir o espelho da sociedade brasileira atual. Mostra os conflitos cotidianos das classes sociais do país, seus problemas mal resolvidos. Tem uma narrativa leve e envolvente que deixa margem para a reflexão posterior, diferentemente de outros filmes que abordam essa mesma temática. é como uma foto 'Polaroid' do momento Brasil.
Vale a pena ver e comentar.
Registro aqui o trabalho de Clarissa Pinheiro, pernambucana, que dá uma aula de interpretação, emprestando graça e convencimento a Rita, sua personagem.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Sete Palavras, por João Pubben
Queridas irmãs e caros irmãos,
Paz e Alegria!
Antigamente, os padres
distribuíam santinhos. Há 50 anos, meu colega Pedro e eu, também, o fizemos. No
santinho de Pedro está impresso “DEUS E’ AMOR” e no meu “RESSUSCITEI”.
E aí, o Pedro viajou, na boa
companhia de Francisco Leentjens, de avião para a Etiópia, e eu, guiado por meu
tio padre Pedro Hermans, rumei de navio para o Brasil. Conforme o lema da
Congregação da Missão íamos “EVANGELIZAR OS POBRES, FAZER CONHECER A BOA NOVA DE
JESUS AOS POBRES”.
Durante quase 48 anos, numerosas
vidas cruzaram meu caminho e eu cruzei os caminhos de muitas pessoas sofredoras
e felizes naquele querido país. Um sem número de crianças, mulheres e homens
apresentaram possibilidades e chances para juntos concretizar, realizar, fazer
acontecer um pouco de bem – todos estão hoje aqui!.
Todo ser humano encontra em sua
vida pessoas que marcam profundamente a própria existência. Tive a felicidade
de poder viver durante 31 anos na sombra de dom Helder Camara – com grande
admiração pelo seu lema de bispo “EM TUAS MÃOS”. Uma outra graça foi conviver
durante 38 anos com Priscila Bezerra, alma vicentina, cujo ideal de missão
“ALEGRIA DE SERVIR”, anotado em um crachá e pendurado em nossa cozinha, eu via
diariamente. Ambos repousam no Silêncio de Deus, desde 1999 e 2005. Há mais
umas pessoas que foram e são de uma importância especial para meu caminhar,
estas agora ainda pelejando no Brasil.
Todos juntos e de vários modos
tentamos servir à vida e ajudar a concretizar o Reino de Deus, das mulheres e
dos homens.
São Vicente cooperou igualmente
mediante seu rico pensamento “O AMOR E’ INVENTIVO ATÉ O INFINITO”. Ele usou
esta expressão em relação à Eucaristia, mas pessoas que estudaram bem e
meditaram profundamente sobre ditos e feitos dele, concordam que se pode
entender estas palavras da maneira mais ampla possível.
Eu me movimentei entre pobres e
doutos, doentes e sãos, órfãos e viúvas, presos e marginalizados. Ao longo dos
anos, vida e trabalho ensinaram que, se o lema da Congregação da Missão
“EVANGELIZAR OS POBRES, FAZER CONHECER A BOA NOVA DE JESUS AOS POBRES” é
válido, o inverso é igualmente verdade “SER EVANGELIZADO PELOS POBRES, RECEBER
O EVANGELHO DOS POBRES, PERMITIR QUE OS POBRES LHE DEEM A BOA NOVA DE JESUS”.
Sou muito grato a familiares,
amigos, colegas benfeitores/colaboradores na Holanda e a todos – bem muitos –
no Brasil que têm direito à minha maior gratidão. Desejo o melhor para meus
colegas de turma, o Pedro da Etiópia e o Pedro que já partiu para a Eternidade.
Há quase dois anos, voltei para a
Holanda. E’ o fluxo da vida... Meus agradecimentos, também, a todos que –
idosos e/ou enfermos – vivem em nossa casa e que aqui trabalham com tanta
dedicação.
Que a bênção de Deus esteja com
todos nós, a fim de que nós possamos nos tornar, cada vez mais e melhor,
bênçãos uns para os outros!
Missiehuis Sint Jozef - Panningen
(Holanda), 19 de março de 2015
joão pubben
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