terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Juventude, Fraternidade e Fé


 
imagem Google (Juventude Mariana Vicentina)
 
 
Juventude, Fraternidade e Fé

 

O desafio maior da Igreja nos tempos atuais e vindouros próximos é mostrar a novidade do movimento de Jesus à juventude. Inicialmente a religião cristã seduziu, no sentido bíblico, os escravos, os pequenos artesãos, os periféricos do império romano, e dentre eles principalmente os jovens pobres, porque a semente e a bandeira da mudança estão e estarão sempre no coração e nas mãos dos jovens.

A pregação cristã primordial anunciava o advento iminente do Reino, onde as estruturas conservadoras e hierárquicas, tais como eram postas na época, seriam implodidas e assim os pobres teriam vez, aos perseguidos seria feita justiça, os famintos saciados, os ricos despedidos de mãos vazias, os poderosos destronados, os imigrantes acolhidos, os doentes curados e assim por diante. Isso é a própria pregação para uma juventude com gana de mudar o mundo. Ia mais além, dizia que quem não abandonasse pai e mãe por causa do Reino não seria digno de entrar nele, deixassem que os mortos enterrassem seus mortos, não olhassem para trás, etc... O início da pregação cristã era muito subversivo e arrebatou multidões, até o momento em que houve uma conversão forçada, a partir de Constantino no séc. IV, de todo império ao cristianismo. O que era novo tornou-se velho, o que era subversivo agora subvertia, o que era perigoso agora era a própria estabilidade.

A juventude da Europa, do Oriente, dos Estados Unidos, do Brasil e da América Latina em geral, se encontra mergulhada numa dolorosa, duradoura e profunda crise. Em proporções desiguais, mas toda ela está lutando contra o desemprego, a desestruturação familiar, problema com drogas e violência, falta de perspectiva, falta de liberdade, falta de identidade.

No Brasil a imensa maioria de criminosos é de jovens, de mortes violentas é de jovens, desempregados idem, drogados, prostituídos, marginalizados. Uma crise sem precedentes onde a religião deixou de ter importância na vida deles, pois não responde aos seus anseios nem tampouco à sua situação concreta de vida.

A sociedade consumista e imediatista, e vejamos bem, não foi criada pelos jovens e sim oferecida a eles, excludente e com uma presença fraca, quando há, de um Estado que muitas vezes ocupa a mídia com escândalos e mais escândalos.

O que esperar de um caldo social desse, altamente explosivo? Qual a mensagem que podemos transmitir e levar aos jovens sobre a grande novidade (evangelho) do Ressuscitado? Sermões, passeatas, festas, proibições, interdições?

Precisamos reinventar a pedagogia cristã, ter mais fé na renovação que o Espírito Santo trás, não podemos jamais deixar a novidade do Evangelho envelhecer.

Eis um desafio e tanto!

 

Assuero Gomes

Médico e escritor

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