quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Os sete pecados do Capital


                                                
 
 
 
 
Os sete pecados do Capital

 

Durante a antiguidade, especialmente na época de ouro da Grécia alguns “defeitos” ou fraquezas humanas foram elencados e posteriormente classificados pela Igreja como “pecados” ou vícios, que prejudicariam a vida dos homens e das mulheres. Seriam eles: a Gula, a Avareza, a Luxúria, a Ira, a Inveja, a Preguiça e a Vaidade (ou Orgulho, ou Soberba).

Tive a alegria, e por que não dizer, a felicidade, de ver uma belíssima pintura antiga de Hieronymus Bosch (1450-1516), no Museo deo Prado em Madrid, a qual admiro desde a adolescência, que retrata de forma magistral esses “sete pecados”.

Para contrapor a essas sete fraquezas, a Igreja orientou seus fiéis a buscarem sete virtudes sagradas, nesse contraponto: Temperança, Generosidade, Castidade, Paciência, Caridade, Diligência e a Humildade.

É evidente que a moderna ciência nas áreas da biologia, medicina, filosofia, psicologia, sociologia e teologia, tem um olhar muito mais abrangente que se tinha na Idade Média. Muitos desses “pecados” podem e devem ser avaliados à luz dessas áreas de conhecimento humano.

No título desse artigo propositalmente refiro-me aos sete pecados capitais, como “do Capital” para que possamos ter uma chave de leitura baseada na sociedade moderna.

Apesar de todo esforço da Igreja e de seus teólogos mais eminentes como Agostinho e Tomás de Aquino, e de sua catequese tridentina maniqueísta e ainda de sua ameaça com as chamas eternas de um Inferno claudicante ou de um Purgatório extremamente prolongado, os sete pecados estão vencendo as virtudes.

No mundo atual pós-moderno, onde Deus passa a ser “algo” indiferente para grande parcela da população intelectualmente mais desenvolvida, especialmente na Europa, e onde o capital chega a ser adorado em verdadeiro culto de latria e o mercado torna-se a grande igreja, vale a pena se refletir sobre tudo isso e para onde se está levando o mundo e com ele as pessoas humanas.

Mesmo em algumas religiões ou denominações cristãs a teologia da prosperidade está grassando, o que não deixa de ser uma heresia camuflada, uma vez que muda o foco do culto a um Deus único e libertador para o culto de uma troca de “favores” ou um deus de mercado: se eu der uma oferta polpuda receberei uma benção ou uma graça maior.

O que vejo é uma inversão de valores a tal ponto que os sete pecados capitais são na verdade, hoje, tido como virtudes e as virtudes sagradas como defeitos ou fraquezas.

Podemos analisar e refletir um a um e constataremos tal fato, mas já a uma primeira vista, veremos que quanto mais rico se é mais se caminha para o prazer gourmet, mais se torna mesquinho e indiferente para com o próximo, mais se entrega aos prazeres do sexo (Porneya), mais exigente e intransigente se é, mais se deseja que o outro tenha menos que você, mais se entrega ao ócio e se acha infinitamente superior ao outro.

Para onde vamos?

 

Assuero Gomes


Médico e Escritor

 

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